Ineficiência na Educação?

Ineficiência na Educação?

Texto de José Eduardo Terra Vallory, Prefeito de Capitólio

Na rotina diária da Administração pública somos constantemente avaliados e sujeitos a críticas. Isto é bom e nos ajuda a melhorar! Agora, o que vimos publicado por uma ONG, sobre avaliação de eficiência da Educação, nos surpreende. Sua avaliação é feita, principalmente, comparando o gasto por aluno, o número de professores e servidores da Educação e a nota do IDEB, de cada município.

Visão simplista e incorreta, pois basicamente afirma que quanto menos gasta por aluno e menos pessoal tem, mais eficiente seria o município.

Simplista e incorreta pois compara o que não dá para comparar. Se pegamos 2 municípios de mesma população, mas com arrecadação diferente, um município terá um gasto obrigatoriamente maior, pois todos têm que gastar 25% do orçamento com Educação. Aí, o município que tem um orçamento maior, mas a mesma população e número de alunos, comparado ao outro município do mesmo porte de população, necessariamente gastará um valor maior por aluno. E por isto será ineficiente?

Capitólio tem  um bom índice do IDEB, tanto nas escolas rurais como na cidade. Aliás, maior (6,9) do que o município considerado mais “eficiente” (6,7) na região, pela ONG.

Se o município de Capitólio gasta mais por aluno e tem mais professores, não entendemos ser isto sinal de ineficiência, absolutamente! Gastamos mais porque temos em toda a rede municipal a Educação em tempo integral, que proporciona a nossos alunos o dobro do tempo normal de permanência na escola. Damos a eles formação em música, xadrez, línguas, artes, atividades esportivas e reforço escolar. Temos uma excelente merenda escolar. Uma frota escolar só com ônibus novos. Atendemos hoje quase 100% da demanda de creche, quando o Plano Nacional de Educação propõe atender 50% em 2020. Nossas profissionais nas creches são todas  Técnicas em Magistério, e não apenas “cuidadoras”.

Um motivo a mais para nossa “ineficiência” está no fato de que, diferentemente de muitos municípios, não termos fechado as escolas rurais. Ao contrário, reformamos as escolas, construímos quadras, colocamos internet, oferecemos tempo integral com professores extras. Preferimos dar a opção aos pais de manter seus filhos pequenos próximos a eles.  Seguramente não iríamos querer para nossos filhos que eles, ainda pequenos, se arriscassem na estrada. Isso aumenta o número de professores por aluno.  Tudo isso custa dinheiro e pessoal! Como falar que isto é ineficiência?

Devemos ser avaliados pela qualidade de nossa Educação e do conjunto de ações que fazemos, e não apenas por um ranking onde o que conta é gastar menos com o aluno para ser considerado “eficiente“.

Queremos que nossos alunos tenham o que de melhor podemos trazer para sua formação como indivíduos e cidadãos. Não queremos que saiba apenas um conteúdo de matemática e português, como o IDEB mede. Queremos qualidade para nossos alunos na escola pública, e não só para os que podem pagar por uma escola particular.

Planejamos formar pessoas que possam ter todas as condições de enfrentar os desafios da vida, com uma Educação que, além de ensinar o básico, forme pessoas com um conhecimento universal, amplo e enriquecedor. Isso não é ser ineficiente! Isso é dar ao nosso povo o que de melhor todos merecem.

Fonte: prefeitura Municipal de Capitólio

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